Publicações

Crescimento na Indústria de Autopeças no Brasil

A Indústria automobilística foi uma das principais responsáveis pelo crescimento da economia brasileira desde sua “aparição”, no início do século XX. A instalação no mercado local de fabricantes como Ford e GM entre as décadas de vinte e quarenta e incentivou a vinda de outras fabricantes, de modo que a produção e posterior comercialização de produtos automobilísticos alavancou sobremaneira a economia nacional, tornando tal indústria a maior responsável pelo Produto Interno Bruto (PIB) do país.

 

Com referido cenário nasce também a Indústria de autopeças, concebida originalmente para suprir as necessidades das montadoras, seja no contexto da produção que no das demandas de pós-venda. No entanto, os players dessa indústria logo puderam observar potencial em outro nicho: o mercado independente de reposição de autopeças. Com o incremento das vendas de automóveis nas décadas posteriores, ocorreu de maneira natural o aumento da demanda no varejo (diretamente para prestadores de serviço e consumidores finais) por peças de reposição, tornando este um dos principais segmentos do setor na atualidade.

 

Nesse sentido, vê-se que mesmo com o atual cenário político e econômico, e apesar da queda na produção de veículos pelas montadoras, o setor de autopeças vem apresentando menor índice de queda do que outros setores da indústria automobilística. E muito se deve exclusivamente ao mercado de reposição, que vem sendo responsável pela resiliência demonstrada pelo setor durante o recente período de recessão econômica vivido pelo país.

 

Todavia, não obstante o cenário econômico desencorajador verificado no passado recente, é possível observar no setor de autopeças atualmente um viés extremamente positivo. Tanto a Anfavea - Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, quanto a Sindipeças - Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, projetam crescimento do setor para este ano de 2017, sendo que a primeira projeta um crescimento de até 9%, frente aos 2,7 % projetados pela segunda.

 

Vale destacar que essa projeção está fortemente relacionada à recuperação da indústria automobilística como um todo. Embora tenha atravessado um período recente difícil, a indústria automobilística vem mostrando sinais de recuperação. Segundo o Relatório da Anfavea, no último semestre do ano corrente tivemos um aumento de 23% na produção de automóveis frente ao mesmo semestre do ano anterior e um aumento de 57,7% nas exportações. Tal relatório é em linha com o último Relatório de Frota Circulante de 2017 apresentado pela Sindipeças - Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores, o qual indica que no último ano (2016) o Brasil testemunhou um crescimento de 0,7% em sua frota circulante frente ao ano de 2015, possuindo atualmente aproximadamente 42,9 milhões de veículos, entre automóveis comerciais leves, caminhões e ônibus.

 

No que tange exclusivamente ao setor de autopeças, um dos dados que demonstram a pujança do setor é a Balança Comercial, que apresentou superavit de R$ 626,3 milhões em maio do presente ano, um crescimento de 12,0% em relação ao mês de abril e de 8,4% frente ao mesmo mês do ano anterior, sendo Argentina, Estados Unidos, México e Alemanha os principais responsáveis pelas exportações de autopeças do país. Ademais, em maio de 2017 houve aumento de 9,8% na variação do Faturamento líquido nominal consolidado frente ao mesmo mês de 2016. E ao observarmos o mercado de reposição, é possível verificar aumento de 2,29% no faturamento entre os meses de março de 2016 a março de 2017.

 

As projeções feitas pela Sindipeças para o ano de 2017 indicam crescimento no faturamento real (sem o efeito inflacionário) do setor, alavancando o processo de criação de postos de trabalho e demonstrando que suas projeções andam lado a lado com o PIB brasileiro. Nesse aspecto, considerando a forte correlação que o setor tem com o PIB nacional, uma vez que as projeções feitas para o PIB são de recuperação da economia, o mesmo ocorre para este setor.

 

Importante destacar que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal estudam a possibilidade de implementar programas de incentivo para a referida Indústria de forma a atrair novos investidores.

 

Como se vê, o a indústria de autopeças está em franca recuperação, acompanhando a retomada vivida pela indústria automobilística e pela economia brasileira como um todo, de modo que este é um momento extremamente propício aos interessados para realizar investimentos no setor. 

Compartilhe:

voltar